Analisámos a altura dos atletas medalhados nos últimos quatro Jogos Olímpicos (2004, 2008, 2012 e 2016) na maioria dos desportos

 

A altura média de um jogador de basquetebol de elite é de 200,6 cm. Os jogadores que jogam na posição de poste têm 210,3 cm de média e cerca de 68%* dos jogadores têm entre 192,5-208,7 cm. Nas mulheres a média é de 184,9 cm, as jogadoras que jogam na posição de poste têm 194,6 cm de média e cerca de 68%* das jogadoras têm entre 175,4-194,4 cm.

A altura média de um jogador de Voleibol é de 198,6 cm (sem libero), o libero tem 184,0 cm de média. Nas mulheres a média é de 184,5 cm.

Um nadador medalhado olímpico nos 100 m livres tem como altura média 195,0 cm e desde 2004 a tendência é para aumentar. Em 2016 os nadadores medalhados registaram uma média de 197,3 cm. Nas mulheres a média é de 177,8 cm.

No atletismo, um lançador de disco tem 199,2 cm de altura média. Nas mulheres a média é de 181,2 cm.

Em ginástica artística (all-around), a média de altura nos homens é 162,8 cm e nas mulheres é 156,3 cm.

 

 

Analisámos a altura dos jogadores de futebol medalhados nos últimos quatro campeonatos do mundo (2002, 2006, 2010 e 2014)

 

A altura média de um guarda-redes de elite é de 188,5 cm e cerca de 68%* tem entre 184,3-192,8 cm. Se considerarmos apenas os guarda-redes titulares das respetivas equipas a média é de 190,3cm.

Se considerarmos apenas os titulares das equipas campeãs do mundo a média sobe para 191,3cm.

Nas posições de campo, um defesa central medalhado num campeonato do mundo tem de altura média 187,5 cm.

De acordo com Abbott & Collins (2002), Mitchell (2014) e Vaeyens, et al. (2008), a identificação de talento envolve uma tentativa de prever a capacidade futura de desempenho de um indivíduo e o ênfase deve ser dado na identificação de crianças com potencial a longo prazo.

Normalmente os procedimentos de identificação de talento concentram-se em parâmetros físicos, não reconhecendo que a maturação e a experiência anterior podem influenciar o desempenho.

Embora a antropometria tenha sido correlacionada positivamente com o desempenho em algumas modalidades desportivas, se a maturação da criança não for avaliada, não é recomendado como critério de seleção.

O método mais utilizado para avaliar a maturação de uma criança é através da idade óssea. No entanto existem algumas desvantagens nesta abordagem, a exposição à radiação, é caro e é inútil se for pretendido uma avaliação em larga escala. Outra forma de avaliar a maturação é através da altura relativa, que é calculada através da altura em adulto predita. Vários estudos sugerem que o método RWT é dos mais precisos na predição da altura em adulto. Lifshitz F. (2007)

No entanto, Temperli & Joss (1988) e Oest, et al. (1993), demonstraram que o método RWT subestima crianças com elevada estatura (rapazes e raparigas). Razão pela qual, este método é considerado útil para predizer a altura final em crianças com estatura média e velocidades normais de crescimento.

Assim, com o objetivo de obter dados mais válidos e úteis, realizámos uma adaptação ao método RWT permitindo a avaliação da maturação e a predição da altura em adulto também em crianças com elevada estatura. Este teste não é a versão final, continua em estudo.

Ao incluir a avaliação da maturação e a predição da altura em adulto, na nossa opinião, este teste pode ser utilizado como critério de seleção em algumas modalidades desportivas.

Adicionalmente, com o objetivo de detetar em larga escala crianças que vão ter uma estatura elevada em adulto, realizámos uma aplicação informática que gera a altura em adulto com uma probabilidade de 98%*, adaptado do estudo de Roche et al. (1983). Este método necessita apenas da altura atual, a avaliação é realizada através da altura relativa e dos desvios-padrão. Outliers, crianças que têm a maturação muito adiantada ou atrasada para a sua idade cronológica, provavelmente este teste não tem validade.

*Assumindo que segue uma distribuição normal